Sociedade entre Celina Leão e empresário do transporte público coloca governo do DF sob pressão
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), passou a enfrentar questionamentos após a revelação de que mantém uma sociedade comercial com o empresário Edmundo Pinheiro, proprietário da Urbi Mobilidade Urbana, uma das concessionárias responsáveis pelo transporte coletivo de Brasília e beneficiária de repasses milionários do Governo do Distrito Federal (GDF). A informação foi divulgada inicialmente pela colunista Daniela Lima, do UOL, e repercutida por diversos veículos de imprensa.
De acordo com as reportagens, a parceria foi firmada durante um leilão realizado em setembro de 2025, quando Celina ainda ocupava o cargo de vice-governadora. O negócio envolveu a compra de metade de um embrião de gado da raça Nelore, avaliado em aproximadamente R$ 500 mil. A própria assessoria da governadora confirmou a operação e informou que o pagamento está sendo realizado de forma parcelada.
O caso ganhou grande repercussão porque Edmundo Pinheiro controla a Urbi, empresa que opera uma das principais concessões do transporte público do Distrito Federal. O sistema recebe compensações financeiras do governo para cobrir a diferença entre a tarifa paga pelos passageiros e o custo da operação, em um modelo que movimenta cerca de R$ 200 milhões por mês entre as concessionárias.
A revelação da sociedade levantou questionamentos sobre um possível conflito de interesses, já que decisões administrativas do GDF podem influenciar diretamente os valores repassados às empresas de ônibus. Entre elas estão revisões da tarifa técnica e outras medidas relacionadas ao equilíbrio financeiro dos contratos. Segundo as reportagens, quando questionada especificamente sobre esse possível conflito, a assessoria da governadora não apresentou resposta.
Os contratos do transporte público do Distrito Federal já são acompanhados há anos por órgãos de controle. Dados do próprio GDF apontam que a tarifa técnica foi revisada dezenas de vezes desde 2019, enquanto auditorias e disputas judiciais discutem possíveis pagamentos indevidos e diferenças de valores envolvendo as concessionárias do sistema.
Em nota, a assessoria de Celina Leão afirmou que a parceria comercial foi realizada em leilão público, antes de ela assumir o governo, e destacou que a Secretaria de Transporte e Mobilidade suspendeu os processos de revisão da tarifa técnica para elaboração de uma metodologia padronizada de cálculo.
A divulgação do caso amplia a pressão por transparência na relação entre agentes públicos e empresários que mantêm contratos com a administração pública. Embora, até o momento, não haja decisão judicial apontando irregularidade na sociedade comercial, especialistas em administração pública costumam destacar que situações dessa natureza podem gerar questionamentos sobre a necessidade de prevenir conflitos de interesse e preservar a confiança da população na gestão dos recursos públicos.